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Gravar guitarras acústicas – Técnicas, Dicas & Truques

Neste artigo irão ser dados alguns concelhos e dicas úteis para conseguir fazer a melhor gravação possível com guitarras acústicas.Os avanços tecnológicos nestes últimos anos trouxeram-nos uma enorme variedade de equipamentos para utilização na gravação de sons duma guitarra eléctrica, mesmo para aqueles com menor capacidade financeira. Os fabricantes como a Digitech, Line6, Roland ou a Yamaha conseguiram criar equipamentos que permitem a qualquer músico fazer a gravação da sua guitarra (eléctrica), sem ser necessário ligar um único microfone.

No entanto o mesmo já não se pode dizer em relação ás guitarras acústicas. O som destas pode ser modelado fisicamente de forma virtual mas com um sucesso limitado – funcionará por exemplo em concertos ao vivo mas não será suficiente para exigências duma gravação de estúdio. Conseguem-se também resultados interessantes usando um sampler MIDI associado a uma programação inteligente., apesar deste método raramente oferecer uma qualidade e versatilidade completamente satisfatória.É por esta razão que a esmagadora maioria dos músicos amadores ainda tem de ligar um microfone à sua guitarra acústica se quiserem utilizá-la numa música, mesmo quando conseguem criar artificialmente todo o resto da canção. Gravar uma guitarra eléctrica é um processo complexo, no entanto há um grande número de técnicas de gravação e de uso de microfones disponíveis que lhe poderão oferecer bons resultados.

Preparação para a gravação

Isto pode-lhe parecer um pouco óbvio, mas é verdadeiramente importante que a guitarra lhe soe o mais possível com o que você deseja, antes sequer de pensar ligar-lhe um microfone. Trate do essencial primeiro: esta é a guitarra ideal para o seu trabalho? Se não for peça uma emprestada ou então pense em investir numa nova para si. Há muitos engenheiros de som que adquirem guitarras para conseguir obter um som específico mesmo não sendo eles próprios guitarristas, não exclua por isso essa hipótese se a sonoridade da guitarra for muito importante para si.

Escolha um tipo espessura de corda apropriado para o instrumento e para o tipo de som que você procura, verifique também se a guitarra esta propriamente configurada para que o som não tenha interferências. Existem muitos tipos diferentes de cordas de aço – cada uma produz sons subtilmente diferentes.

As mais utilizadas são as de bronze e de níquel. Um instrumento com espessuras mais leves de cordas (entre 11 e 50) será por norma mais fácil de tocar, mas produzirá um som mais “leve”. Por outro lado um set de cordas mais pesadas (ou “duras”) pode por vezes produzir um som que poderá falhar em tons mais altos das cordas. A melhor escolha será por norma o set mais “duro” de cordas que ainda são suficientemente confortáveis para utilização dos guitarristas. Uma afinação inicial pode variar com o decorrer das gravações, por isso deverá usar um afinador eléctrico entre cada take.

Se o guitarrista estiver a utilizar uma palheta, vale sempre a pena experimentar diferentes espessuras, dependendo do tipo de cordas que está a usar, poderá obter sons bem diferentes uns dos outros. Não tenha receio de perder meia hora ou o que for necessário para obter o som mais apropriado da fonte, já que o tempo gasto nesta fase, tem o potencial de lhe facilitar a gravação e mistura nas fases seguintes.Outro factor a ter em conta é que o som proveniente da guitarra é em grande parte dependente do ambiente em que esta é gravada. O reverb é um problema comum quando a gravação é feita num pequeno homestudio. Enquanto que o reverb artificial pode ser criado em estúdio para dar vida a um espaço acústico “morto”. Utilizar um bom ambiente acústico à partida irá produzir melhores resultados, mesmo que queira adicionar mais reverb à posteriori. Obviamente não irá querer exagerar neste efeito já que em demasia irá tornar o som exageradamente cheio e confuso, mas geralmente este não será um problema se estiver a utilizar um pequeno estúdio.

Para obter uma sonoridade que se assemelhe a um ambiente ao vivo, experimente colocar a guitarra de forma a que esta esteja virada contra uma superfície reflectora. Tipos de chão, portas e mobília podem pode ser úteis para obter a melhor sonorização possível. Se o seu chão tiver carpete e esta estiver a afectar o som, pode sempre colocar uma superfície dura como madeira ou de fibra por debaixo do instrumento. Pode mesmo valer a pena usar extensões de cabos para outra sala com melhor acústica no caso de som do seu estúdio simplesmente não estiver ao seu gosto.

Se finalmente está disposto a começar a gravação com o instrumento e a acústica desejada, ouça com atenção cada etapa, até chegar ao ponto em que a guitarra lhe soe mesmo bem. Se conseguir fazer isto, então a tarefa mais importante foi atingida, está agora pronto para escolher um microfone.

A escolha dos microfones

Os grandes estúdios profissionais têm uma vasta variedade de microfones para escolher, mas nos estúdios caseiros a escolha é muito mais limitada, por isso a escolha terá de ser muito cuidadosa. O primeiro factor que terá de ter em conta é que são muito poucos os microfones dinâmicos capazes de manter a qualidade da guitarra acústica, o Sennheiser 441 será uma das poucas boas escolhas devido à sua resposta limitada. As altas-frequências são vitais para o som das guitarras acústicas e portanto provavelmente, será melhor usar um microfone de condensador para obter os melhores resultados, já que estes são muito mais sensíveis e captam melhor as altas-frequências.

A qualidade do microfone a usar vai depender um pouco do seu orçamento. Não é que os microfones mais baratos, não consigam captar o som com bons resultados, mas tenha consciência que estes modelos, que são alimentados por vezes por pequenas pilhas, podem ter menor sensibilidade do que aqueles que usam “phantom-power” – alguns são até mais sensíveis do que um bom microfone dinâmico.

Os puristas do som, por norma, escolhem um microfone de condensador com um pequeno diafragma devido a sua precisão para as altas-frequências e outro com um padrão omnidireccional para obter um som mais transparente do que aquele capturado por um cardióide. No entanto, se fizer parte daquele grande grupo de pessoas que possui dois microfones do tipo cardióide e diafragma largo, não significa que irá ter problemas para obter bons resultados. Para começar, microfones omnidireccionais requerem uma sala de gravação com melhor acústica do que a maioria dos estúdios caseiros, por isso os cardióides obtêm melhor resultados em salas de dimensão mais pequena.

Qualquer que seja o microfone que escolha, o seu posicionamento é crucial. Num contexto de música ao vivo é normal ver os microfones posicionados perto da fonte do som (orifício frontal) porque as considerações mais importantes são o nível e a separação do som, de modo a evitar feedback’s. Em estúdio, porém, o objectivo será captar um som mais natural possível e por isso estas considerações serão menos importantes. É verdade que muita da energia do som duma guitarra acústica, provém directamente do orifício frontal, mas o som é preenchido pela ressonância do corpo do instrumento. Se conseguir que a sua guitarra produza o som correcto logo na origem, não irá ser necessário usar processos drásticos ao som durante a gravação.

O som da guitarra é o resultado das vibrações de todo o instrumento e das reflexões do som do ambiente acústico em que este se encontra inserido. Se colocar um microfone demasiado perto da guitarra, o som proveniente da parte do instrumento onde o microfone se encontra mais próximo irá dominar todos os outros e o próprio ambiente acústico – estará a arriscar gravar apenas uma parte do instrumento, quando na verdade, o objectivo é captá-lo como um todo.

Por outro lado, se o seu microfone estiver posicionado muito longe da fonte, poderá ficar com muito ruído de fundo, deixando o som da guitarra distante e pouco definido. Pode também acontecer-lhe que o seu microfone registe níveis elevados de ruído, o que acontece quando sobe o ganho, o microfone se encontra a uma distância considerável, e for um modelo com pouca sensibilidade.

Agora vamos especificar o posicionamento do microfone, o método mais comum é montá-lo a 40 cm da guitarra e direccionado para o ponto onde o braço da guitarra se encontra com o corpo. Este posicionamento consegue obter um som completo e preenchido, os níveis do som directo e reflectido serão (para alguns músicos) os ideais, e o som proveniente do orifício frontal será controlado, pois o microfone não está apontado directamente para ele. Tendo à disposição uns headphones, poderá facilmente ir testando o posicionamento dos microfones. Se conseguir obter o som que pretende, não se esqueça de primeiro o ouvir atentamente nas suas colunas, já que o som proveniente dos headphones pode ser enganador.

Como regra geral, mover o microfone para o lado do braço da guitarra irá dar mais brilho ao som, enquanto que se o aproximar mais do orifício o som conseguido será mais melodioso e preenchido. Afastar o microfone da guitarra, irá aumentar a proporção do ambiente acústico, enquanto que se o aproximar irá “secar” o som. Como alternativa, se preferir o som obtido através dum posicionamento mais próximo da fonte, mas pretender que o ambiente acústico tenha mais relevo, a solução será utilizar um microfone omnidireccional em alternativa a um cardióide.

Embora os tipos de posicionamento do microfone acima descrito sejam os mais utilizados, nem sempre produzem os melhores resultados. Por exemplo se quiser obter o som que os guitarristas ouvem, então um microfone ou dois colocados por de cima do ombro do músico, ao nível da sua cabeça, irá oferecer-lhe o resultado pretendido. Se estiver a utilizar uma guitarra de maior porte cujo som gravado pela frente se apresenta demasiado “cheio” e um pouco confuso, a solução pode passar por apontar o microfone para sítios menos óbvios, como por exemplo para as superfícies reflectoras ou talvez apontar para baixo da guitarra. Tais posicionamentos alternativos podem por vezes oferecer resultados brilhantes que nenhuma teoria poderia prever.

Utilizar mais que um microfone

Até este momento, descreveu-se como efectuar gravações com apenas um microfone e em grande parte das situações será suficiente, mesmo que a guitarra tenha um papel preponderante na mistura. No entanto há também técnicas de gravação multi-mic que lhe podem ser úteis. Muita da arte na gravação consiste em juntar todas as fontes do som como a produzida pelo corpo, cordas, orifício e braço da guitarra, outra abordagem é utilizar um microfone diferente para cada elemento individual do som. Estes elementos são posteriormente misturados para obter o resultado pretendido – uma espécie de equalização natural.

O maior desafio quando estiver a utilizar esta técnica é garantir que todos os diferentes sinais estejam sincronizados durante a mistura, se existir atrasos entre os sinais, o resultado final ficará comprometido. Alguns engenheiros de som resolvem este problema colocando todos os microfones a mesma distância do orifício frontal o que poderá resultar, porém, outro método é gravar cada pista em separado e depois juntá-las durante a mistura.

Muitas das guitarras acústicas incorporam mecanismos de captação do som através de pick ups. Embora possa parecer tentador, simplificar a tarefa de gravação, apenas gravando este sinal DI, o resultado geralmente é desapontante comparado com o conseguido através do uso correcto de microfones. Um pick-up no entanto apenas capta as vibrações das cordas, embora estas também sejam influenciadas pela vibração do instrumento. Se um microfone estiver bem posicionado, captará as vibrações de todas as partes do instrumento, combinando-o com o reflexo das ondas sonoras do ambiente acústico. O resultado será um som muito mais natural. Dito isto, é importante dizer que as gravações de música pop não exigem precisão e pode obter um som que se enquadre bem numa mistura combinando o sinal DI com o sinal captado pelos microfones.

O uso de múltiplos microfones é também utilizado para gravar o som em stereo ou para criar efeitos pseudo-stereo. Para solos de guitarra, recitais e pequenas montagens a captação stereo pode ser uma alternativa interessante, apesar de a localização da guitarra na imagem stereo seja menos definida e criar mais dificuldades de montagem na altura da mistura. Alguns engenheiros de som favorecem os efeitos pseudo-stereo, como a utilização de microfones apontados para o corpo e para o braço da guitarra, inserindo-os em canais opostos.

Como alternativa pode utilizar um microfone por cima do ombro do guitarrista e outro a 20-30 cm de distância do meio do braço da guitarra. A vantagem desta abordagem é que o microfone direccionado para o braço capta um som mais detalhado e brilhante com muitos poucos graves (provoca um cancelamento de fase nas baixas frequências se a faixa for reproduzida em mono). Ter diferentes tonalidades em cada lado da imagem stereo pode fornecer uma imagem stereo mais ampla e interessante, embora provavelmente quererá evitar o excesso de panning a não ser que esteja interessado em criar uma ilusão de uma guitarra com 3 metros de diâmetro!

Autor: Paulo Costa   [Fonte: Palco Principal]

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